Quarta-feira, Março 18, 2009

Revolutionary Road

A book that may change your regard to life. Is the future somewhere else? Is the future for me?

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

canção

Eu ouvi dizer... que você, assim...
Como quem não quer nada, perguntou por mim...

Agora... logo agora... justo agora...
Eu ouvi você... me dizer que sim...
Mas era silêncio que se ouvia quando dei por mim

(Adriana Calcanhoto)

Sexta-feira, Dezembro 26, 2008

Ao novo ano


Esse é o mundo que construí. Com clichês, os pés na grama verde, os olhos no céu azul e duas canções para me lembrar que sonhar é preciso. Porque também de sonhos o meu mundo é feito; indestrutíveis, pairam sempre sobre as escolhas, os atos, as decepções e os sucessos. Argonauta dos sonhos, caminho pelo mundo que construí distribuindo sorrisos, lágrimas, passos, palavras e imagens. Nos últimos 366 dias, a alma pisciana tomou conta de mim, emprestando à vida esse ar brumoso que só o sonhar possui; aquela cara de fotografia antiga, meio desbotada. O ano que começou em meio à lágrimas de pesar transformou-se em mais um para não ser esquecido. Fevereiro é amarelo, maio é azul, julho é de um verde calmo e intenso, setembro é o mais doce e ardente dos vermelhos. Dezembro fecha o ano multicolorido e vibrante (como é a moda da estação, dizem-me as revistas). Não vale a pena rememorar (aqui) os momentos deste meu ano. Vale dizer que entre tristezas, alegrias, viagens, trabalho, estudo, cansaço, estão momentos dos mais especiais e pessoas maravilhosas. A elas (sabem quem são) sou deveras agradecida e espero que sigamos por 2009 afora com esses sorrisos de esperança no rosto.


Como fez a Iasa (e como é tradição) faço minha lista 2009

mais poesia

livros não lidos

trabalhar menos (e ganhar mais)

fotografar o inusitado e o belo

viajar para algum lugar de nome estranho (e para outro continente)

formar-me jornalista

tornar-me jornalista

deixar mais o cabelo ao vento

menos ansiedade

mais coragem

uma vida que inspire arte e expire amor



PS – novidade no mundo dos meus blogs é o Scanning, meu Tumblr. Tumbleblogging é umas das coisas mais divertidas que a internet já inventou.

Sábado, Novembro 15, 2008

Madrugada

(...)
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
(...)
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final
(...)
Bicho solto
Um cão sem dono
(...)
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

Sábado, Novembro 08, 2008

“Pluma que o vento vai levando pelo ar”



— Olha lá, Coração: mãos entrelaçadas e a janela molhada. Aspira: aroma de chuva, proeza da natureza. Conta-me um segredo: qual é a cor do teu pulsar. Não chora não, Coração: nem por dor, nem por amor. Ainda não chora pelos infortúnios ou pelos clichês. Olha pro espelho, Coração, olha no meu olho. Diz para mim que está bem aqui, no meu peito, a pulsar. Fala pra mim, Coração, diz que não é verdade que eu não passo de um mero respirar, de um mero estar. Convence-me que a vida não é mero azar. Que lágrimas são essas? Não me diga que são de pesar, Coração. Quero que sejam de felicidade genuína. Como és ingênuo; não há felicidade. Que sorriso lindo.

Segunda-feira, Outubro 20, 2008

A mim, a você


Acorrentados

Paulo Mendes Campos


Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.


Texto extraído do livro "O Anjo Bêbado", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 105.

Sábado, Outubro 11, 2008

Léxico Particular – Esses Sujeitos Femininos


Essa ansiedade (s.f.) Não tem razão de ser mas é rígida e impiedosa. Retoma velhos hábitos e data de velhos tempos infantis.

Essa concomitância (s.f.) Verbete que une todas as palavras deste léxico. Também presente em alguns momentos da vida em relação a sentimentos alheios.

Essa descompostura (s.f.) Rara palavra, mas marcante. Está em momentos de preferível esquecimento. Ou não.

Essa displicência (s.f.) Faz parte do universo do aquilo-que-poderia-ter-sido. Está muito presente no que chamamos dia-a-dia. Muito comum em relação ao tempo, à arte e ao conhecimento. Requer certo sangue frio.

Essa inconstância (s.f.) Palavra que soa familiar; se alimenta de meus dizeres, de meus escritos, de meu ser. É como um olho que fecha e abre – a transformação. As minhas mãos não sabem o que fazer.

Essa indecisão (s.f.) Presente nos mais variados momentos, do escolher o sabor do chá ao futuro incerto e aos detalhes das palavras. Perpassa ainda os fatos mais relevantes de uma vida.

Essa melancolia (s.f.) A incidência deste termo é sazonal. (Para esclarecimentos, ver: Essa inconstância)

Essa solidão (s.f.) Uma das palavras mais pesadas do mundo das palavras. ‘Solidão’ pesa mais que ‘tempo’ que ‘mundo’ e que ‘verdade’. Só não mais que ‘perdão’.