— Olha lá, Coração: mãos entrelaçadas e a janela molhada. Aspira: aroma de chuva, proeza da natureza. Conta-me um segredo: qual é a cor do teu pulsar. Não chora não, Coração: nem por dor, nem por amor. Ainda não chora pelos infortúnios ou pelos clichês. Olha pro espelho, Coração, olha no meu olho. Diz para mim que está bem aqui, no meu peito, a pulsar. Fala pra mim, Coração, diz que não é verdade que eu não passo de um mero respirar, de um mero estar. Convence-me que a vida não é mero azar. Que lágrimas são essas? Não me diga que são de pesar, Coração. Quero que sejam de felicidade genuína. Como és ingênuo; não há felicidade. Que sorriso lindo.
sábado, novembro 08, 2008
“Pluma que o vento vai levando pelo ar”
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segunda-feira, outubro 20, 2008
A mim, a você
Texto extraído do livro "O Anjo Bêbado", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 105.
escrito por Manuela às 00:57 0 comentaram
sábado, outubro 11, 2008
Léxico Particular – Esses Sujeitos Femininos

Essa ansiedade (s.f.) Não tem razão de ser mas é rígida e impiedosa. Retoma velhos hábitos e data de velhos tempos infantis.
Essa concomitância (s.f.) Verbete que une todas as palavras deste léxico. Também presente em alguns momentos da vida em relação a sentimentos alheios.
Essa descompostura (s.f.) Rara palavra, mas marcante. Está em momentos de preferível esquecimento. Ou não.
Essa displicência (s.f.) Faz parte do universo do aquilo-que-poderia-ter-sido. Está muito presente no que chamamos dia-a-dia. Muito comum em relação ao tempo, à arte e ao conhecimento. Requer certo sangue frio.
Essa inconstância (s.f.) Palavra que soa familiar; se alimenta de meus dizeres, de meus escritos, de meu ser. É como um olho que fecha e abre – a transformação. As minhas mãos não sabem o que fazer.
Essa indecisão (s.f.) Presente nos mais variados momentos, do escolher o sabor do chá ao futuro incerto e aos detalhes das palavras. Perpassa ainda os fatos mais relevantes de uma vida.
Essa melancolia (s.f.) A incidência deste termo é sazonal. (Para esclarecimentos, ver: Essa inconstância)
Essa solidão (s.f.) Uma das palavras mais pesadas do mundo das palavras. ‘Solidão’ pesa mais que ‘tempo’ que ‘mundo’ e que ‘verdade’. Só não mais que ‘perdão’.
escrito por Manuela às 15:29 0 comentaram
quinta-feira, outubro 09, 2008
Turista na minha província
A perspectiva da cidade muda completamente quando se é turista. Nessa condição, tudo tem seu ar mágico: as pombas, os mendigos, os velhos, os telhados, os varais, as calçadas, os ônibus, o trânsito, os táxis, as árvores, as bicicletas, os artistas de rua, as prostitutas, os cachorros e a chuva. Até o céu nublado tem seu charme quando se é forasteiro.
Claro, tudo é absolutamente novo. Nem tanto. Viajo todos os anos ao Recife, já vi e revi todas as suas belas paisagens. Mas sempre que volto, sinto que seus pequenos detalhes são infinitamente mais divertidos que os de minha cidade. Posso argumentar que Curitiba não é exatamente um lugar belo e divertido, o que se torna uma inverdade dolorida quando percebo que me faltam olhos curiosos de turistas para enxergá-la de verdade.
Certo dia, resolvi experimentar. Lembrei-me vagamente de minhas viagens: dos ambulantes do Recife aos taxistas paulistanos, da feira de Caruaru à 42nd Street em New York, da noite no cais recifense aos copos y tapas de Madrid e da serra gaúcha ao bucólico campo português. Ao respirar essas lembranças, tinha a nítida sensação de que fui observadora minuciosa desses lugares, mas que eles são apenas memória. Curitiba é real, é tangível. O mapa não está em punho, está intrincado no cérebro.
Com isso em mente, coloquei meus ‘óculos de turista’ e saí a caminhar pela ‘XV’ de câmara fotográfica em punho, como manda o figurino. Sem idéias preconcebidas, consegui achar bonito o vôo das pombas da Santos Andrade, os mendigos da Riachuelo, os bolivianos gaiteiros, as estátuas vivas e os poetas que amam a lua. Até a campanha política eu apreciei: peguei todos os santinhos. Eu vi tantas coisas bonitas, admiráveis, estupendas. Passei pelo Largo – pedi pra tirarem uma foto minha junto do bebedouro –, entrei na Catedral e fiz compras na Casa China. Depois, um pequeno ‘sightseeing’ pela Rui Barbosa, pela Tiradentes, através da Rua 24 Horas (achei até charmoso ela estar fechada). Então, entrei no tubo e peguei o biarticulado, achando tudo o máximo. Dei uma passadinha no Botânico e fui para casa.
No dia seguinte, fui revelar o filme: estava queimado. Do meu passeio turístico por Curitiba nada sobrou. Ao sair da loja, ali na confusão da Marechal Deodoro pensei: tudo tão banal, que vontade de viajar.
* Crônica produzida para Redação Jornalística III
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quarta-feira, outubro 08, 2008
O Diazepam
Novo projeto de blog, O Diazepam, aliás, vamos parar com essa de projeto. O novo blog O Diazepam une as forças de sete audaciosos estudantes de jornalismo da UFPR, incluindo esta que vos fala. A idéia são postagens diárias, um autor por dia. Não há um tema definido, fala-se o que está no coração: pode ser uma crônica, um desabafo, um texto teórico, uma reclamação, uma reportagem etc etc etc. Eu me chamo sábado, Iasa Monique é domingo sem cara de domingo, Chico Marés é uma ensolarada segunda-feira (Garfield não tem vez). Mari Cioffi é uma doce terça-feira e Amanda Audi faz as quartas-feiras mais agradáveis. O caçula Fábio Pupo empresta sua voz grave às quintas-feiras e Sandoval Poletto seu texto afiado às sextas-feiras. Espera-se que continuemos por muitas semanas.
escrito por Manuela às 00:04 1 comentaram
domingo, outubro 05, 2008
Léxico particular: Languidez
O céu laranja; olhos fechados; rara paz. Instantes até que o silêncio que tem nome volte a agitar, aquietar, agitar, aquietar. O silêncio do céu laranja eu nomeio languidez, achando impossível que a vida seja feita de algo além de poesia.
escrito por Manuela às 23:19 0 comentaram
sábado, setembro 27, 2008
Almas que oscilam; perguntas sem resposta.

– Você jamais seguiu a força da maré.
– É o que faço agora, willingless.
– Prove-me que não me amas.
- Regardes moi dans les yeux.
- Não dizes nada com esses olhos.
- Justiça seja feita.
- Eu quero compreender.
- Além de minhas forças.
- Siga este raciocínio, por favor.
- Olhe para o espelho, por favor.
- Meus passos... titubeio.
- Olhas para trás?
- Para que se preocupar?
- Eu não sou ficção.
- És personagem de minha vida.
- Carne e osso.
- Insegura como num romance.
- Não há incertezas.
- Não chores.
- Agora eu me sinto como um retrato em prata gelatina.
- Noema: “Isso foi.”
- E estou em flou.
Cai o silêncio, “essa substância inescrutável que é a sustança da solidão.”
- Preciso de um conhaque.
- Make it two.
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domingo, setembro 14, 2008
Três anedotas
*
*
*
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terça-feira, setembro 09, 2008
Alfama e as palavras

As palavras, elas estão aqui ao meu lado, e elas são palavras leves e doces e tímidas. Um dia, elas aparecem.
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sábado, setembro 06, 2008
Por que mudar?

Porque a mudança, de alguma maneira, me faz viva. E por que eu mudo (eu tento) a cada instante: sou como o rio. E, como disse antes, ando sem palavras. Quanto menos delas, melhor pra mim.
Mais do mesmo:
As coisas da casa, poema de Marcelo Sandman
1.
Ela agora só pode amar
Com a paixão contida
Da borboleta espetada na placa de isopor
(De vez em quando uma asa estala
e sai voando pela sala
e quer quebrar o abajur.)
2.
Trazia nas mãos pressurosas
O ramo das rosas do arrependimento
E no botão da rosa mais vistosa
A abelha venenosa
Que bulia por dentro
3.
A raiva invadiu a casa
Numa labareda violenta
Crestou tudo!
Agora os dois carregam baldes de água
Pra dentro,
Espionados pelos vizinhos,
Que olham de longe,
Por trás de gelosias engelhadas.
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quinta-feira, setembro 04, 2008
quarta-feira, setembro 03, 2008
Crônica da meia-noite
Eu perdi meu raciocínio.
O que é muito comum nos dias de hoje.
- Um Dry Martini, por favor. Não esse, é gin com vermouth e azeitona.
Aquele sentimento de estranheza. O drink é providencial.
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sábado, agosto 30, 2008
Dois modos de ver fotografia
Dois modos de ver fotografia
Até o final de setembro estarão abertas ao público curitibano duas exposições fotográficas: ‘fotografia subjetiva’ A Contribuição Alemã 1948 – 1963 (Casa Andrade Muricy, de 31 de julho a 28 de setembro, entrada franca) e Fotógrafo Norte-Americanos (Espaço Caixa Cultural, de 27 de julho a 26 de setembro, entrada franca). A primeira é uma extensa mostra de imagens produzidas pelo que se consagrou chamar de ‘fotografia subjetiva’ (grafada em minúsculas mesmo, na tipologia Bauhaus) cujo maior mestre foi o alemão Otto Steinert. A segunda é uma coletânea de 33 imagens da fotografia norte-americana do início do século que incluiu obras de Lewis Hine, Paul Strand e diversos fotógrafos da equipe da Farm Security Administration (FSA – Administração da Segurança de Fazendas). Esses fotógrafos foram os precursores do que se costuma chamar de ‘fotografia documental’.
É interessante notar que as duas exposições têm conteúdos que se contrapõe na sua concepção teórica e prática, mas que mostram duas vertentes interessantes da fotografia do século XX.
‘fotografia subjetiva’
A mostra exposta na Casa Andrade Muricy é uma retrospectiva extensa do movimento ‘fotografia subjetiva’. São mais de 150 imagens de expoentes do movimento que teve suas raízes na ‘nova fotografia’ alemã dos anos 20 e na Bauhaus de Walter Gropius. Essas primeiras influências estão marcadas na exposição por nomes como Adolf Lazi, Herbet List, Chargesheimer, Marta Hoepffner e Heiz Hajek-Heinz - chamados de “incentivadores e parceiros do movimento emergente”. A maioria deles foi banida da Alemanha com o regime nazista que classificou suas fotografias como “degeneradas”. São imagens marcadas por simbolismo, experimentos de fotografia de objetos, composições elaboradas e geométricas. É notória a presença da destruição do pós-I guerra e das sombras que caíram sobre a Alemanha durante o período: o preto é intensamente contrastado.
Todas essas características estão presentes com muito mais intensidade na segunda parte da mostra que mostra o movimento vanguardista fotoform que ocorreu após a II Guerra Mundial, de 1949 a 1958. Com um projeto teórico bem estabelecido, o grupo de fotógrafos pretendia enfatizar a criação individual com os recursos da fotografia. Otto Steinert – mentor do movimento que organizou as duas exposições do grupo e criou o termo ‘fotografia subjetiva’ – considerava importante criar imagens que satisfizessem um olhar artisticamente receptivo. A ‘fotografia normal’, ou melhor, a ‘fotografia objetiva’ que visa à utilidade e à representação da realidade não lhe interessava.
Nas fotos do fotoform é comum o uso de recursos como oscilações luminosas, tempos maiores que captam o movimento, a presença do fotógrafo na imagem. As fotos são obscuras e tratam sempre de temas industriais, áridos. A solidão é também recorrente: as pessoas estão quase sempre solitárias. Numa análise simplista, podemos dizer que é visível a presença de traumas pós-guerra e a necessidade de transformar a visão da fotografia publicitária nazista, que exaltava valores como a família, a moral e a superioridade.
Também é importante notar os experimentos inspirados na pintura contemporânea abstrata e surrealista. Imagens em close-up de objetos, dupla exposições. Muitas fotos de metal, máquinas. Mas nada de colagens, como se fazia no anos 20. O objetivo dos fotógrafos do fotoform – dos quais destaco, além de Steinert, Ludwig Windstoßer, Peter Keetman, Toni Scheneiders e Wolfgang Reisewitz – era utilizar todos os recursos possíveis do equipamento fotográfico sem apelar para outras técnicas artísticas.
As fotos de Steinert são objetos ‘inúteis’ no sentido comum da palavra. São como as gravuras, as pinturas. São retratos conceituais (a bailarina sentada em uma cadeira moderna é maravilhosa), fotos de árvores em movimento, fábricas sombrias etc. Professor que era, Steinert ensinou muitos discípulos ao longo de sua vida, cujo trabalho pode ser visto na quarta parte da exposição, onde há imagens de diversos fotógrafos do mundo todo por ele influenciados. A quinta parte é um prólogo que fala de tendências contemporâneas inspiradas pela ‘fotografia subjetiva’, cujos expoentes são Robert Häusser e Stefan Moses.
A tradição documental
Já na Caixa Cultura, pode-se ver um outro tipo de fotografia. São imagens dos primórdios da fotografia documental no mundo. A exposição tem curadoria de João Kulcsár, que teve acesso a negativos do Governo Americano para fazer as cópias. Em prata gelatina, trazem visível na ampliação o desgaste dos anos passados
Começa-se pelos mestres Paul Strand e Alfred Stieglitz e Lewis Hine. Os três iniciaram na América do Norte a tradição documental, que visa mostrar a realidade – com preocupações estéticas – e criar um documento historio que demonstre como era determinada sociedade, vivência ou povo. Estão presentes na mostra ícones como O terminal da Estação de Cavalos de Stieglitz e Blind Woman de Strand. Além disso, algumas das imagens mais famosas que Hine fez na luta pelo fim do trabalho infantil (da qual foi ativo militante) como os meninos carvoeiros e a menina na fábrica de algodão. Uma foto que destoa bastante da proposta da exposição é um nu captado por Stieglitz à la Man Ray.
Logo em seguida (e com falha da curadoria, não citado no texto de apresentação da exposição) estão as fotografias de um grupo de fotógrafo que no início do século trabalhou para a Farm Security Administration retratando as agruras da fome pós-1929, quando a Bolsa de New York quebrou. Parte do programa do New Deal de Frank Delano Roosevelt, a FSA criou uma nova estética de fotografia documental. Seus expoentes Dorothea Lange, Walker Evans, Arthur Rothstein, Ben Shahn, Russel Lee, Marion Wollcott e Gordon Parks mostraram à ‘América’ as agruras do campo, com seus imigrantes pobres e famintos.
Destaque para Lange e Evans. Ela com sua Migrant Mother (Mãe Imigrante), que mereceu destaque especial do curador. Uma das fotografias mais famosas de todos os tempos, mostra uma mãe e três crianças: a face cansada demonstra o sofrimento do viver. O retrato é muito emocionante e foi peça chave na conscientização do governo americano para tomar uma atitude. Além da clássica foto, há mais quatro cliques da série e um pequeno relato da fotógrafa. Já em Walker Evans podemos ver as paisagens urbanas de oficinas, carros Ford antigos e vendedores de frutas. Na obra do autor, são mais raros os personagens, mas é sempre muito forte a presença humana nas paisagens.
Pequenas observações
Sem fazer comparações, pois isso seria um contra-senso, visto que são mostras de fotografias feitas em épocas diferentes, em países diferentes e em contextos sociais diferentes, traço uma observação.
As fotografias de Os fotógrafos Norte-Americanos vêm carregadas de um contexto social muito grande. Em sua maioria, são fotografias tiradas com um objetivo claro de mostrar problemas sociais na esperança de amenizá-los. A preocupação estética é grande, mas ela é voltada para a utilidade da imagem. Quanto mais forte e bela, mais chamará atenção.
Já em ‘fotografia subjetiva’ as imagens tem o propósito único de ser arte. Aliás, as imagens não tem propósito, entrando na discussão da ‘inutilidade’ da arte. São imagens estéticas, calculadas e belas. A ‘fotografia subjetiva’ não objetiva a realidade (isso é claro em seu nome) ela foge dela, e entra no universo único do fotógrafo-artista.
A discussão entre fotógrafos documentaristas e conceituais pode ser infinita. Conferir as duas mostras, porém, pode trazer alguns esclarecimentos e a vivência em meio à prata-gelatina, e o aprendizado de que todas as correntes têm seu imenso valor estético, histórico e, por que não, mágico.
obs - essa resenha/pesquisa eu fiz para o Comunicação, jornal laboratório da UFPR, em que sou editora de cultura
escrito por Manuela às 23:02 0 comentaram
quinta-feira, agosto 28, 2008
Sob o 'Céu de Lisboa'
Eu tentei resenhar O Céu de Lisboa (1994) de Wim Wenders, mas não consegui com propriedade. Um filme dedicado a Fellini, com a presença de Madredeus, poesias de Fernando Pessoa e a beleza do bairro da Alfama, é demais pra mim. O roteiro e a fotografia, eu nem comento. Cheguei a conclusão que eu moraria em O Céu de Lisboa. É isso.
Alfama (Pedro Ayres Magalhães / Rodrigo Leão)
Agora,/que lembro, /As horas ao longo do tempo;Desejo,/ voltar,/ voltar a ti,/ desejo te encontrar;
Esquecida, / em cada dia que passa, /nunca mais revi a graça /dos teus olhos /que amei.
Má sorte, foi amor que não retive, / e se calhar distraí-me... /- Qualquer coisa que encontrei.
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sexta-feira, agosto 22, 2008
100 anos de Cartier-Bresson!
"L'appareil photographique est pour moi un carnet de croquis, l'instrument de l'intuition et de la spontanéité, le maître de l'instant qui, en termes visuels, questionne et décide à la fois. Pour « signifier » le monde, il faut se sentir impliqué dans ce que l'on découpe à travers le viseur. Cette attitude exige de la concentration, de la sensibilité, un sens de la géométrie. C'est par une économie de moyens et surtout un oubli de soi-même que l'on arrive à la simplicité d'expression.
Photographier : c'est retenir son souffle quand toutes nos facultés convergent pour capter la réalité fuyante ; c'est alors que la saisie d'une image est une grande joie physique et intellectuelle.
Photographier : c'est dans un même instant et en une fraction de seconde reconnaître un fait et l'organisation rigoureuse de formes perçues visuellement qui expriment et signifient ce fait.
C'est mettre sur la même ligne de mire la tête, l'œil et le cœur. C'est une façon de vivre."
Parabéns, Cartier-Bresson. Hoje, se vivo, faria 100 anos de leiquinha em punho.
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quinta-feira, agosto 21, 2008
Aqueles versos.
"Trago dentro do meu coração
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(...)
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma ideia abstracta,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
(...)
Meu ser elástico, mola, trepidação"
Trechos de Passagem das Horas, 22 de maio de 1916, Álvaro de Campos
escrito por Manuela às 22:09 2 comentaram
sábado, agosto 16, 2008
Palavras.

Noite fria, três goles de vodka; quero escrever palavras que te toquem. Prosas gélidas como ferro; versos quentes feito brasas. Duas metáforas nuas, cruas, levemente doces, sairão da minha boca. Tua nuca arrepia, teus olhos curiosos questionam coisas sem resposta. Quatro sussurros literários, alguns impropérios censuráveis. Eu quero palavras que busquem outra dimensão, que encontrem aquele instante indeciso. Chega dessa tensão: eu quero palavras cheias de graça, eu quero dominá-las. A vodka é pouca. As palavras não chegam. Os olhos rodeiam o entorno atrás de termos certos inexistentes, meu corpo treme. Não há nada mais real que uma noite fria. Aliás, há. Na busca infrutífera por palavras, deitarei-me, em busca de respostas, do sono e de ti, que não estás aqui
escrito por Manuela às 03:17 1 comentaram
quarta-feira, agosto 13, 2008
Felicidade de Jobim, com seus devidos cortes.

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
* Em breve: relatos de Portugal.
escrito por Manuela às 17:59 0 comentaram
sábado, julho 26, 2008
"X - Mar Portuguez
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram.
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nelle é que espelhou o céu."
Fernando Pessoa
Mas nem só no lirismo português estou enraizada: vou definitivamente me encontrar nos vermelhos de Espanha. Até mais ver, pois, pois.
escrito por Manuela às 11:37 2 comentaram
quinta-feira, julho 24, 2008
Reviravolta
Porque eu estou cansada da indecisão, dos sabores amargos, da seriedade. Je suis fatiguée com a possível rotina, com o futuro improvável, com sonhos que se dissolvem. E essa vida que gira e todo dia vira outra vida? Eu quero mais mudança - eu quero montanha-russa. Da lagarta à borboleta a todo instante. Eu quero essa agonia do desconhecimento, unkown lands. Seguir a descobrir, nutrindo-me paixão, realização, decepção, desejo. Eu quero andar pela vereda sem saber
do sim,
do não,
do amor.
Carpe Momentum.
E já não falo mais de vozes, nem de olhos, nem de mim mesma.
escrito por Manuela às 02:01 1 comentaram






