
"(...)Se você quiser eu danço com você
Meu nome é nuvem, pó, poeira, movimento
O meu nome é nuvem
Ventania, flor de vento, madrugada
Eu danço com você o que você dançar
Se você deixar o coração bater sem medo"
O meu coração bate leve e sem medo nesse instante. Caminhar pela minha estrada parece estar mais simples (a simplicidade é minha razão) e as veredas menos bifurcadas.
As portas: abertas.
terça-feira, julho 15, 2008
Post número 100
escrito por Manuela às 23:31 2 comentaram
sexta-feira, julho 04, 2008
Antonina!
Estou descendo para o litoral, vou cobrir o festival de Antonina para a Proec. Estranho esse momento em que você se toca: - Ih, virei fotógrafa.
Será verdade?
Acho que haverá atualizações nesse site e no Co:::unicação
escrito por Manuela às 15:29 0 comentaram
quinta-feira, julho 03, 2008
My brain and my bones don't want to take this anymore!!
escrito por Manuela às 13:21 1 comentaram
quarta-feira, julho 02, 2008
O desejo secreto da cidade

Fui à praça Tirandentes para ver a grande descoberta arqueológica da cidade de Curitiba. Não que eu esperasse um dinossauro, nem um homem de neanderthal, mas qual foi a minha surpresa ao descobrir que é apenas (e apenas) uma calçada velha - ela não difere em muito das nossas atuais ou das do largo da ordem. Mas a surpresa continua: embaixo do vidro vedado, no meio da preciosidade, um pacote de club social. Havia engenheiros próximo à obra e fui lá falar com eles. - Viu, moço, tem um pacote de bolacha ali embaixo que eu acho que não faz parte da atração. - Ah, ok, vou averiguar. Conclusão: tudo que Curitiba quer em seu subsolo é um clube social.
Fonte da Foto: Jornale
escrito por Manuela às 17:51 2 comentaram
terça-feira, julho 01, 2008
Levantando a poeira da vida...

Ontem, fui à Terceira Parada da Diversidade LGBT de Curitiba e fotografei, e fotografei, tava lindo. Dá para conferir, na Galeria Co:::unicação e no meu Flickr
Se joga, bee!
escrito por Manuela às 00:14 0 comentaram
quinta-feira, junho 26, 2008
Au Revoir Simone e Ricardo Reis

Hurricanes, Au Revoir Simone
In a world of make-believe
Talks a lot, but can't you see
It means more to you than me
Think before you speculate
Take the fear that you create
Don't assume we're so afraid of them
And you say na na na...
If you stop and disappear
Doesn't sound I watch you here
When dreaming takes you where you want to be
Don't follow the status quo
Picture where you'd like to go
Take your time but always know you're there
This message is for all the people
That people who are always waiting
*
Nos altos ramos de árvores frondosas
O vento faz um rumor frio e alto,
Nesta floresta, em este som me perco
E sozinho medito.
Assim no mundo, acima do que sinto,
Um vento faz a vida, e a deixa, e a toma,
E nada tem sentido - nem a alma
Com que penso sozinho.
26-04-1298, Odes de Ricardo Reis
escrito por Manuela às 19:08 0 comentaram
quinta-feira, junho 19, 2008
Divagações tem mesmo que ser curtas.

Hoje, meditei o dia todo com xícaras de campim-cidreira, boldo do chile, twinings four red fruits (uma das maravilhas da vida). E, de repente assim, veio a vontade de sentir aquele turbilhão de emoções. E, assim, como quem pisca o olho, a vida ficou mais leve. Um instante assim como esse instante, salva um dia, uma semana! E agora posso juntar àquela constatação maravilhosa: merecidas férias!
escrito por Manuela às 22:59 1 comentaram
terça-feira, junho 17, 2008
Trabalhinho de Música: Análise de Ai que saudade da Amélia! baseada nas Mitologias de Roland Barthes
Ai que saudade da Amélia!
Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo que você vê você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: Meu filho, que se há de fazer
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Letra de Mário Lago, música de Ataulfo Alves, Gravada pela primeira vez por Ataulfo e suas
Pastoras, em 27 de novembro de 1941
“Exijo a possibilidade de viver plenamente
a contradição de minha época, que pode fazer
de um sarcasmo a condição da verdade.”
Roland Barthes
Seguindo a lógica da canção, poderíamos realizar aqui uma análise baseada nas questões de gênero. Contudo, realizarei uma análise baseada nas questões colocadas por Roland Barthes no livro Mitologias em que ele constrói um novo tipo de análise semiológica. A análise, como coloca Barthes, terá um tom artificial, ascético. Após essas duas considerações, continuemos.
Temos aqui o já construído mito de Amélia, a mulher de verdade. Desde 1941 essa música é tocada no Brasil, ora com tom irônico, ora reiterando valores machistas. Ao que parece, ela foi escrita com esse propósito. Em 1941 iniciava-se movimentos de libertação feminina que culminaram nos grandes movimentos dos anos 60.
A canção fala de um homem que já havia sido casado com uma mulher chamada Amélia, mas que por algum motivo (provavelmente falecimento, já que na época não havia divórcio, e Amélia era perfeita demais para ser deixada) vem a se casar com uma outra mulher. Dessa vez, ela faz “exigências”, não sabe o que é “consciência” (e provavelmente fala muito sobre isso), só “pensa em luxo e riqueza” e não enxerga que seu marido é um “pobre rapaz”. Amélia, contudo, passava fome ao lado dele, sem reclamar, ela achava “até bonito não ter o que comer”. Amélia era resignada, não possuía nenhuma vaidade, e por isso, para o narrador, era uma “mulher de verdade”. Como fazemos aqui uma análise semiológica, onde um signo é um sistema binário formado por significante e significado, é de se esperar que a “outra” é uma mulher falsa, mentirosa.
Amélia é um mito na sociedade brasileira. Até hoje, quando quer se falar de uma mulher forte, que cuida do lar, dos filhos, refere-se à ela como “uma Amélia”. Outra possível significação do termo “uma Amélia” (daí já mais posterior, após o movimento de libertação feminina) é “uma ingênua”, “uma boba”, uma mulher fácil de ser passada para trás.
Aqui, o sentido é a história do Marido de Amélia, que afirma que ela passava fome ao seu lado sem reclamar e que não possuía vaidades. Esse sentido apresenta a forma que é “Amélia que era mulher de verdade”. O fato de ser o ex-Marido de Amélia que conta essa história distancia-nos da “verdadeira” história dessa mulher. Teria Amélia sofrido em silêncio? Teria Amélia morrido, ido embora? O mito de Amélia é o de uma mulher que realmente não tem emoção nenhuma e isso é devido ao fato de sua história ser contada por um ex-marido (talvez arrependido?). Talvez o Marido de Amélia só a valorize agora, com a presença da segunda esposa. O único momento em que é dada voz ao mito Amélia é o verso “Dizia: Meu filho, que se há de fazer”, em que Amélia possui um tom de resignação, até maternal, provavelmente provindo de sofrimento, fome e tristeza, e não, como afirma o ex-marido, de sua mínima vaidade ou do fato de que ela achava bonito passar fome. Alguém pode afirmar que ou Amélia sofria em silêncio ou estava resignada.
Contudo, não é o caso analisarmos a possível vida do personagem Amélia, e sim a forma e sentido com que seu mito nos é apresentado e a significação que ele denota. Muitas vezes Amélia foi cantada apenas como um “samba bonito”, o que o torna uma canção literal, livre de interpretações e oculta a intenção do mito. Na pretensão de tomar o lugar do mitólogo, deve-se isolar a forma ou o sentido a fim de procurar a significação. Ela não acompanha o signo que é completamente arbitrário, a significação, para Roland Barthes, nunca é totalmente arbitrária, em parte ela é sempre motivada e contém uma parte da analogia.
O mito de Amélia, portanto, designa o mito da “mulher ideal” para um marido brasileiro e pobre. Uma mulher que não reclama, não sonha e não possui vaidade. O único propósito do mito Amélia é cuidar da casa e afagar seu marido com palavras dóceis quando ele se vê contrariado. Há na música o que Amélia não deve fazer explícito em outro mito: o da contra-Amélia. Amélia não pode exigir nada, não pode ter (e nem saber) o que é consciência e não deve pensar em luxos e riquezas. Contra-Amélia não é considerada pelo Marido um exemplo digno de mulher. Somente Amélia “é que era mulher”.
O Marido de “Ai que saudade da Amélia”, é um “pobre rapaz” mas ele não é nem proletário nem burguês. Contudo, o ideal de vida do casamento, da esposa em casa a espera do marido, é um ideal burguês. O marido, então, é o Homem Eterno, habitante do universo dos fatos burgueses. Porque, segundo Barthes, é quando penetra nas classes intermediárias que os ideais burgueses (tal qual o mito de Amélia) se tornam verdades diluídas no imaginário.
“Essa aliança vai se reforçando com o tempo e se transformando pouco a pouco em simbiose. Tomadas de consciência provisórias podem acontecer, mas a ideologia comum já não é posta em questão: uma mesma camada “natural” cobre todas as representações “nacionais”: o grande casamento burguês, fruto de um rito de classe (a apresentação e o consumo das riquezas) , não pode ter nenhuma relação com o estatuto econômico dos pequeno-burgueses , mas, por meio da imprensa, das atualidades e da Literatura, transformou-se, pouco a pouco, na norma, se não vivida, pelo menos sonhada do casal pequeno-burguês. A burguesia absorve ininterruptamente na sua ideologia toda uma humanidade que não possui um estatuto profundo e o que só pode vivê-lo no imaginário, isto é, no empobrecimento da consciência. Expandindo as suas representações graças a todo um catálogo de imagens coletivas para o uso Pequeno-burguês, a burguesia consagra a indiferenciação ilusória das classes sociais (...)” (Barthes, 1970)
Aí, então, encontro um terceiro mito na canção: a mulher pequeno-burguesa. Colocada nas devidas proporções do caso brasileiro (que difere muito do francês) A contra-Amélia quer ter um padrão de vida burguês e seu marido não pode oferecê-lo. A visão de mundo dela é exigente e, segundo o Marido – é bom lembrar que os mitos da canção são construídos segundo a visão dele - , ela deseja “luxo e riqueza”. Aí está o paradoxo da indiferenciação das classes sociais: Contra-Amélia quer ser burguesa mas não pode; Marido quer um casamento burguês mas não quer uma mulher burguesa. Ele quer a figura mítica da “mulher do proletário”, que nada quer, nada pede, nada exige.
Para concluir, Amélia é um caso de mito deslocado. Quando foi escrita, representava um ideal. Atualmente, representa outro. O mito continua tendo força, porém, outra força. O mito, antes reduzido ao ideal vigente, hoje está circunscrito a um contra-ideal: a mulher não deve ser Amélia se não quiser ser considerada ingênua. Tampouco, deve ser Contra-Amélia. O novo mito da “mulher ideal”, apresentado nas revistas como Cláudia, é o mito da mulher “independente sem deixar de ser mulher”. Mas esse não é um mito a ser discutido nesse trabalho.
Resumindo: o significante do mito “Amélia” é que ela"era uma mulher de verdade”. O significado, que Amélia (que não reclama e não tem vaidade) era o Ideal de mulher para o homem em 1941. Entrando no campo da significação; o “produtor de mitos” de Barthes vê (focaliza, para usar o termo do autor) Amélia como o símbolo da “mulher de verdade”. Para o “mitólogo” de Barthes, Amélia é o álibi do Marido para considerá-la “mulher de verdade”. Já para o “leitor do mito”, Amélia é a própria presença da “mulher de verdade”. Para o autor, a primeira focalização é cínica, a segunda desmistificadora e a terceira é dinâmica, ela faz com que o leitor viva o mito como uma história simultaneamente verdadeira e irreal.
Barthes afirma que o que faz com que o leitor consuma o mito inocentemente é o fato de não enxergá-lo como um sistema semiológico: um signo formado por significante e significado (no caso de Barthes, substituir signo por significação). Para o leitor, é um sistema indutivo: há apenas uma equivalência, é uma relação natural. Nas palavras de Barthes: “(...) O sistema semiológico é um sistema de valores; ora, o consumidor do mito considera a significação como um sistema de fatos: o mito é lido como um sistema fatual, quando é apenas um sistema semiológico.”
BARTHES, Roland. Mitologias. Rio de Janeiro, Difel, 2007.
escrito por Manuela às 23:29 5 comentaram
sábado, junho 14, 2008
I (really) can watch the sunset on my own or a bunch of idiomatic expressions
Short Story:
I fell for you and then I fell in love, and then I fell apart, and then I fell back on you, and then we fell out, and now I try to fall back, and I think I fell for myself again.
So much to do. So much to think. So much to feel.
And now, in instead of falling, I jump.
escrito por Manuela às 22:46 0 comentaram
sexta-feira, junho 13, 2008
The Horror... The Horror

"And suddenly he'll grab you, and he'll throw you in a corner, and he'll say, 'do you know that 'if' is the middle word in 'life'?'"
Photojournalist sobre Kurtz em Apocalypse Now. Amo.
Ps - Olha isso aqui, que divertido! =) Eles me ligaram!
escrito por Manuela às 14:55 1 comentaram
quinta-feira, junho 12, 2008
Cecil Beaton & Elliott Smith

got bitten fingernails and a head full of the past
and everybody's gone at last
a sweet sweet smile that's fading fast
'cause everybody's gone at last
and you don't get upset about it
no not anymore
there's nothing wrong
that wasn't wrong before
had a second alone with a chance let pass
and everybody's gone at last
well I hope you're not waiting
waiting around for me
because I'm not going anywhere, obviously
got a broken heart and your name on my cast
and everybody's gone at last
everybody's gone at last
escrito por Manuela às 10:53 3 comentaram
segunda-feira, junho 09, 2008
Palavras desconexas
ela filosofa de faz-de-conta, ouvindo o mestre repleto de verdades. ela está tímida, mas não pensa em ninguém. pensa em atitudes que não tomaria, só o pensar é suficientemente ousado. na boca, um sorriso há tempos guardado.
ruim é “pisar em ovos”; é presumir o sentimento alheio; é sentir aquele doer por mais uma vez; é olhar pra trás e ver pouca coisa feita.
bom é chão concreto; é silêncio pra escutar o que se passa dentro de mim, chama-se paz de espírito; é sentir aquele redemoinho de anseios novamente; ; é olhar pra frente e ver muita coisa
por fazer.
escrito por Manuela às 23:36 0 comentaram
domingo, junho 08, 2008
Poema de Marcelo Sandmann

1.
Ela agora só pode amar
Com a paixão contida
Da borboleta espetada na placa de isopor
(De vez em quando uma asa estala
e sai voando pela sala
e quer quebrar o abajur)
escrito por Manuela às 17:23 3 comentaram
quinta-feira, junho 05, 2008
Minhas Mitologias
Um dia minha avó decidiu me ensinar a gritar. Não que eu fosse criança quieta, tagarela eu sempre fui. E também não deixava de ser manhosa. Só não sabia gritar. Grito daquele ancestral, daquele primal, que vem do âmago, que alivia a pressão do mundo. Ela tentou, tentou, com lições teóricas, práticas, demonstrações. Não adiantou. Até hoje eu não sei gritar de verdade. Mas às vezes me dá aquela vontade de dar um grito aos quatro cantos, de reverberar o pulmão pelo mundo, de me fazer entender, de deixar claro o que quero, o que não quero, pra que vim ao mundo. Daí eu escrevo. A palavra é meu grito.
escrito por Manuela às 22:54 0 comentaram
sábado, maio 31, 2008
Sem título
Isso não é um jogo de azar. Mas não há ganhadores. Nem vantagens, e muito menos regras. Há sim reincidência, ilusões e probabilidades. Vício, quem sabe. Há ainda melancolia e solidão, recrudescentes a cada jogada. E, chega de blefar! É preciso admitir. E é preciso distrair-se com banalidades. Deixar de acreditar que pensa aquilo que esperam. Você só joga quando quiser e como quiser. Há contradições por demais, jogadas arriscadas. E há outras que impedem a visualização do quadro todo, daquilo no que se acredita verdadeiramente. E às vezes o melhor é dar as cartas. ‘Noutras, é melhor desistir. Até porque você não é uma pessoa competitiva.
Sou míope - não enxergo longe sem meus óculos. Vejo apenas aquilo que está muito próximo. Longe de mim, tudo indefinido. Não há nitidez. Tenho consciência de que lá está, eu identifico as cores, um formato aproximado, a distância da minha imaginação, da minha certeza, da minha crença. Mas eu não defino formatos, nuances, particularidades, possibilidades, certezas. E forçar a vista me dá uma dor de cabeça sem fim. Ainda bem que, antes de ser míope, sou uma sonhadora nata, daquelas que devaneiam na luz do dia.
escrito por Manuela às 23:34 0 comentaram
terça-feira, maio 27, 2008
Todas as cartas de amor são ridículas ou Alguns termos incompreensíveis
Silêncio. Sim. Não. Charada. Risco. Medo. Dor. Paixão. Permissão. Ousadia. Espontaneidade. Pensamento. Desejo. Mundo. Amor. Alegria. Risco. Riso. Probabilidade. Convenção. Vontade. Verdade. Coincidência. Relâmpago. Descuido. Brecha. Destruição. Vida. Tempo. Sinceridade. Honestidade. Querer. Concessão. Reciprocidade. Prisão. Bondade. Amizade. Boca. Beijo. Palavras. Loucura. Sabotagem. Cômico. Condescendência. Racionalidade. Tudo. Nada.
escrito por Manuela às 19:35 0 comentaram
sábado, maio 24, 2008
And it's alright, Ma, I can make it e escritos d’O Poeta
“(…) Advertising signs that con you/ Into thinking you're the one/ That can do what's never been done/ That can win what's never been won/ Meantime life outside goes on/ All around you.You lose yourself, you reappear/ You suddenly find you got nothing to fear/ Alone you stand with nobody near/ When a trembling distant voice, unclear/ Startles your sleeping ears to hear/ That somebody thinks/ They really found youA question in your nerves is lit/ Yet you know there is no answer fit to satisfy/ Insure you not to quit/ To keep it in your mind and not forget/ That it is not he or she or them or it/ That you belong to. (…)”
Bob Dylan em It's All Right, Ma (I'm only Bleeding)
*
“Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesmo coisa variada em cópias iguais.
É uma sensação abstracta
Da vida concreta –
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse não haveria em mim este falso cansaço.
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Confesso: é cansaso!... ”
escrito por Manuela às 21:30 0 comentaram
quinta-feira, maio 22, 2008
“Porque foi calma a tempestade”
Para ler ouvindo A Tempestade.
L’Avventura não consegue entender Longe do Meu Lado
Sei que devo recomeçar. Entretanto, não há fim. Que fênix renasce sem cinzas? Recomeçar, não. Apenas continuar: uma vida repleta de possibilidades, de pontos de encontro e desencontro, de coincidências, de oportunidades. Porque estamos sozinhos no mundo. E a solidão não é relativa, ela é intrínseca.
Dizem que o que os olhos não vêem o coração não sente. Na esperança de não sentir, fecho os olhos. Realmente, é simples não sentir. Queria sentir algo, confesso. Quando abro os olhos, o mundo está lá, estático. E, então, um turbilhão de emoções e confusões me toma e me leva novamente a esse terreno incerto, incógnito. Sinto que por ele quero caminhar, mas algo me impede.
E na tentativa de descobrir um atalho, fecho novamente os olhos. Encontro lábios hesitantes, meu corpo vacila, oscila. O que fazer? Não há tempo para refletir, corpo inculto! Deve haver nesse momento, em algum recôndito, uma dor lancinante, dessas que cortam o coração. Mas ela está reduzida, oculta, abafada por emoções desconhecidas, ruídos mil, e vozes diferentes, etéreas. De súbito, um silêncio chamado desejo as cala.
Na aurora, reinicio. E me pergunto, como fez um poeta, se espero voar, como chego às nuvens com meus pés no chão?
escrito por Manuela às 16:36 2 comentaram
terça-feira, maio 06, 2008
"Cinema - uma força que suaviza a realidade"
Jean-Claude Carrière escreveu um livro muito legal chamado A linguagem secreta do cinema. Eu li metade dele na aula de História e Cinema, e pretendo ler o restante: só é uma pena que ele esteja esgostado. Carrière trabalho com Luis Buñuel por 19 anos, escrevendo roteiros, incluido A Bela da Tarde. Depois ele fez um monte de outros filmes muito bons, incluindo um dos meus preferidos de todos os tempos, A Insustentável Leveza do Ser, que ganhou Oscar de melhor roteiro adaptado em 1989 (eu acho).
Há um momento em que Carrière lista os truques que o cinema utiliza para burlar os obstáculos da realidade, que podem atrasar, ou tornar um filme tedioso (e o tédio, segundo ele, é o fim de um filme):
- Num filme, o táxi está sempre desocupado no instante em que precisamos dele e o personagem sempre paga o preço exato sem olhar no taxímetro ou precisar de troco.
- Ao telefone, sempre disca-se seis números (para economizar tempo), a pessoa chamada sempre atende ao primeiro toque e o personagem sempre repete as palavras do interlocutor (Como vai? Melhor? E a sua esposa? Abandonou você?)
- O sexo no cinema é sempre de fácil execução, e os parceiros chegam ao êxtase juntos e rapidamente (melhor frase do livro: "Assim, os filmes de hoje são um monte de ejaculações precoces")
- Em brigas de rua, a pessoa cai desmaiada com único soco.
- Se a história não exige a presença de crianças, um casal vive anos juntos sem qualquer menção à procriação (e isso muito antes da pílula!)
- "Qualquer atividade é familiar e corriqueira". Qualquer personagem sabe ler, nadar, dançar, cavalgar e fala muitos idiomas.
- Os personagens sempre conseguem quartos livres em hotéis.
- Os carros sempre pegam na primeira tentativa
- A cavalaria (quase) sempre chega bem na hora
- "Você se barbeia sem se cortar e fuma sem ficar enjoada. Urina muito raramente - sem fala da outra coisa, que você jamais faz"
- As mulheres acordam lindas.
- Os viajantes puxam malas com a maior facilidade (Eu aprendi subindo dois lances de escada com uma mala de 20kg em NYC que isso é mto falso)
- Quando alguém anota algo, faz isso com maravilhosa velocidade, tão rápido quanto o ditante fala.
- "E quando uma jovem com aparência bem intelectual é tocada pelo sopro do amor, ocorre um verdadeiro milagre ótico - ela repentinamente deixa de usar óculos, sem qualquer efeito aparente sobre a sua habilidade de ler e escrever"
- As balas das armas dos filmes Westerns são infinitas
- Quando um homem comete um crime, chega ao esconderijo, ele liga a TV ou o rádio, e "invariavelmente, naquele exato momento, o locutor está falando do seu crime e da sua escapada".
escrito por Manuela às 12:03 2 comentaram







